Deixem o Google dominar...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A Primeira Produção Acadêmica Ninguém Esquece...

Meus caros leitores... (whahaha... me sentindo uma colunista do jornal O Globo...)

Aprendi a ler e escrever com quatro anos de idade. Desde essa época, sempre gostei muito de produzir e apreciar as obras de outros. Achava que ler e escrever eram as melhores coisas que o ser humano poderia querer... e olha que até tinha e tenho um pouco de razão nesse pensamento...
Sair, ainda que minimamente de uma alienação, se sentir inserido na sociedade por saber ler e escrever é, realmente muito bom...

Ao longo de minha vida, escrevi inúmeros textos narrativos em 1ª e 3ª pessoa, dissertativos - argumentativos até o dedo fazer calo... que davam para o gasto, me proporcionaram boas notas na escola e me fizeram crescer de certa forma...

Eis que chega a universidade... aquele friozinho na barriga e a pergunta: 'E agora? Como produzir um texto decente?'

Jacqueline começa escrevendo para a professora de Introdução à Filosofia sobre um dos mais famosos diálogos de Platão, denominado "O Banquete", cujo tema central é Eros, amor romântico que uma pessoa sente por outra e é diferente do amor Ágape, Filia, Pragma ou Storge e um outro chamado "Fedro"

Sem saber como, a pobre caloura dá o seu jeito e escreve a seguinte coisa:


A partir da leitura dos diálogos Sócrates/Agatão e Sócrates/Diotima,no Banquete de Platão, pretende-se explicitar qual o traço distintivo do Eros na concepção platônica.Desenvolverei as razões pelas quais é afirmado que Eros é um daimon e não um deus.

No diálogo Fedro,Eros é declarado como sendo um deus que governa não somente as almas humanas,mas também as almas divinas.A partir da leitura,desenvolver-se-á esta diferença na conceituação de Eros.

No Banquete, Agatão critica os participantes do Banquete que discursaram antes,pois não traçaram elogios ao deus,mas se contentaram chamar de felizes os homens a quem Eros propicia suas dádivas.
Agatão diz que Eros é o mais novo dos deuses, o mais belo e o melhor de todos os outros. Diz também que Eros evita ser alcançado pela velhice. Sua juventude é eterna.
No diálogo de Sócrates/Diotima, Eros é um daimon cuja função é essencialmente a síntese. Ele é a síntese das características herdadas:

Pelo pai - dirigir a atenção para tudo que é belo e gracioso; braveza, audácia. É constante e grande caçador, conquistador. Também procura encontrar meios para obter aquilo que quer.

Pela mãe - características contrárias a de seu pai. Tudo se caracteriza negativamente.

Essa é a natureza de Eros. É por isso que sem ser ele mesmo belo, será aspiração pela beleza. Diotima diz que o amor é filósofo pois está no meio,entre a ignorância e o saber.Quando Diotima afirma que Eros não é bom nem mal,Sócrates julgou que ele seria feio e mal.
Ela diz que o que não é belo, não é necessariamente feio, pois quem não é sábio, não é por isso ignorante, uma vez que existe um meio termo entre a sabedoria e a ignorância.

Com isso, Diotima diz que Eros é algo intermediário entre dois termos. Entretanto, dada à natureza, ele não poderia ser considerado um deus, uma vez que os deuses são felizes e belos e Eros carece de coisas boas e belas, pois deseja o que lhe falta.
E continua, dizendo que Eros é um daimon poderoso e tudo o que diz respeito à natureza demoníaca, representa o meio termo entre os seres divinos e os seres mortais. O daimon pode ser considerado um mensageiro perspicaz que primeiramente interpreta o que é próprio dos seres humanos e leva aos deuses. Depois traz aos homens o que é próprio dos deuses. Súplicas e sacrifícios dos homens, as ordenações e recompensas divinas. O daimon está entre uns e outros e ocupa o espaço intermediário, mantendo unidas estas partes que forma o todo.
Atribui-se à distância dos deuses dos homens a necessidade do daimon para estabelecer comunicação entre ambos. Completa dizendo que muitos são os daimons possuidores de muitas espécies e entre ele está Eros.
Eros busca o belo e sua condição é sempre intermediária.
Fedro,no Banquete afirma que Eros é um deus e o mais antigo.Fala também que quem ama é mais divino que o objeto amado,pois possui em si divindade,é possuído por um deus.
No diálogo Fedro, há o mito da parelha alada, no qual o cocheiro é a razão e os corcéis são à vontade e a concupiscência.
Os cavalos e os cocheiros das almas divinas são bons e de boa raça, mas os dos outros seres são mestiços.
"O cocheiro que nos governa, rege uma parelha, na qual um dos cavalos é belo e bom, de boa raça, enquanto o outro é de má raça e de natureza contrária. Assim, conduzir o carro é ofício difícil e penoso [...]

[...] Os carros dos deuses que são mantidos em equilíbrio, graças à docilidade dos corcéis,sobem sem dificuldade.Os outros com dificuldade porque o cavalo de má raça inclina e repuxa o carro para a terra." (Banquete,152)
A alma dos imortais,quando atingem a abóbada celeste,fica por lá e contemplam tudo o que, fora da abóbada, abarca o universo, ou seja, eles permanecem no inteligível,lugar de almejo dos mortais.
Eros é chamado pelos mortais de deus alado. Os mortais o chamam de Pteros (amor alado) por fornecer asas.
No Banquete, os deuses não são tomados por Eros pois os mesmos são perfeitos,não necessitam de algo para completar-lhes.
Aristófanes conta um mito relativo à origem do homem.Na origem,os homens eram dotados de órgãos duplos. Eram extremamente ágeis e ousados. De tanta ousadia,certa vez resolveram atacar o próprio Olimpo. Os deuses, enfurecidos, resolveram vingar-se e os homens foram separados em duas metades. O amor nasceu daí: é a eterna procura,o eterno desejo que os homens sentem de procurar a outra metade que um dia perderam. Quando alguém encontra, encontra também a felicidade.
O amor é desejo e privação e isso não condiz com o que é perfeito e belo (deuses).
No diálogo Fedro, é afirmado que cada um adora o deus de quem foi companheiro. Imita-o enquanto não pervertido, e enquanto aqui vive, depois do primeiro nascimento. Deste modo, todos imitando seu deus nas relações amorosas e nas outras.
Cada um escolhe seu amor de acordo com o respectivo caráter e passam a considerá-lo como seu deus.

Fedro dá exemplos:
[...] Um companheiro de Zeus é capaz de suportar mais facilmente a perturbação causada pelo deus alado. Os companheiros de Ares, com o qual fizeram a rotação, sendo atacados por Eros e crendo que pelo amado são injurados, são tomados de fúria assassina e sacrificam-se a si próprios e aquilo que amam [...] ( Banquete, 156-157).
Neste trecho mostra-se claramente que os deuses são tomados por Eros, fazendo a distinção dos mesmos de "Banquete" .
Há um certo paralelismo entre a alegoria da caverna e o discurso de Diotima. Na República é descrito o processo de conversão das consciências à luz. Parte-se das sombras até chegar às Idéias. Já no Banquete
temos uma "ascese erótica", onde Eros desempenha em relação aos sentimentos e às emoções o mesmo papel de intermediário que as entidades matemáticas representam para a vida intelectual. Eros comanda a subida por via da atração que a beleza dos corpos exerce sobre os sentidos e remete à contemplação da Idéia do Belo, o Belo em si. Esse é o sentido da dialética do desejo que o Banquete analisa no plano do sentimento, e que a República analisa no plano do conhecimento.
Em Platão encontramos a construção do conhecimento constituído pela união de intelecto e emoção, de razão e vontade: a episteme é o fruto de inteligência e amor. O essencial continua sendo: a Verdade, o Bem e a Beleza, três manifestações diferentes da mesma e única realidade suprema. Enfim compreendemos o ensinamento de Diotima, do próprio Platão, Eros é daimon: intermediário entre contrários (pobreza/abundância, ignorância/saber); Eros é, também e sobretudo, intermediário entre o humano e o divino, entre o sensível e o inteligível, entre o mortal e o imortal.
Eros é o próprio desejo da imortalidade. Esta é a única imortalidade possível para o homem, tanto pelo corpo, quanto pela alma. No primeiro caso, a imortalidade, se produz pelo nascimento dos filhos, pela sucessão e substituição de um ser idoso por um outro ser juvenil. Entretanto por cima desta produção e desta imortalidade corporal, há as do segundo caso, segundo o espírito. Estas são próprias do homem que ama a beleza da alma, e que trabalha para produzir numa alma bela, que o tem seduzido, os rasgos da virtude e do dever. Desta maneira, o homem perpetua a sabedoria que na sua alma se alojava e assegura um tipo de imortalidade superior à primeira. Este é o homem verdadeiramente virtuoso, o filósofo, o verdadeiramente imortal.



Claro que esse texto foi um pouco imaturo, com alguns errinhos de concordância, observando- o hoje. Entretanto, foi um ótimo começo... ganhei um 'parabéns! Seu texto foi bem desenvolvido' e a gestalt se fechou...
Esse foi apenas o primeiro de muuuuitos textos que virão, inclusive o temido TCC a posteriori... Rs.

Abraço a todos...

Fui!

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